Ela define o xadrez como "arte e cálculo". Juliana Terao, atual campeã brasileira, participou pela 5ª vez de uma Olimpíada de Xadrez, desta vez em Baku. Amante da Siciliana e fã de Judit Polgar, prefere o jogo com os cavalos. Gentilmente forneceu esta entrevista ao Xadrez Sem Mistério.

Ednilson Rosas: Como que é a emoção de representar o Brasil num evento tão relevante como a Olimpíada de Xadrez?

Juliana Terao: Acredito que representar o seu país em uma olimpíada seja o sonho da maioria, se não, todos os atletas. Apesar de já ter sido a minha quinta olimpíada, a satisfação e a alegria de representar o Brasil nesse torneio tão importante não diminui, pelo contrário, só aumenta.

Ednilson Rosas: Com o advento das redes e midias sociais, aproximando muito mais as pessoas apesar da distância, como você sentiu a torcida pra você individualmente e para o grupo?

Juliana Terao: Eu sei que o pessoal torce e fica acompanhando as partidas ao vivo, isso é muito legal, ver que tem gente torcendo por você e tal, mas eu particularmente quando estou em torneios não costumo acompanhar muito as redes sociais. Este ano a CBX lançou um canal no YouTube com análises e comentários de alguns matches, achei essa iniciativa bem bacana.

Ednilson Rosas: É diferente competir num evento desta grandeza? Você fica mais tensa e nervosa ou leva numa boa?

Juliana Terao: Com certeza a responsabilidade em um torneio desse nível pesa um pouco, as partidas são transmitidas ao vivo e além do mais é um torneio em equipe então você não pode ter um pensamento individualista, tem que pensar no time, ver como estão as mesas da sua equipe, logo certamente é diferente de um torneio como um Open ou um campeonato nacional. Tensão e nervosismo sempre há um pouco querendo ou não, mas acredito que eu consigo controlar isso numa boa.

Ednilson Rosas: Como foi a preparação para jogar uma olimpíada?

Juliana Terao: Este ano foi uma preparação mais prática, joguei três torneios na Europa, onde dois deles tinham o mesmo ritmo da Olimpíada, o que foi um bom aquecimento pré Olimpíada.

Ednilson Rosas: As mulheres são conhecidamente muito competitivas entre si. Como foi a relação entre as atletas? Deu pra se divertir em algum momento juntas?

Juliana Terao: A relação da equipe foi muito boa, onde sempre estávamos pensando na equipe em primeiro lugar e depois em nós mesmas. O torneio é bem corrido, mas tivemos bons momentos durantes as reuniões da equipe; as refeições, o dia livre, etc.

Ednilson Rosas: Vocês tinham contato com a equipe masculina?

Juliana Terao: Sim, mas como disse, é um torneio bem corrido.

Ednilson Rosas: O que achou da organização do evento?

Juliana Terao: Das cinco olimpíadas que disputei, essa de Baku com certeza foi a mais organizada e a mais divulgada em toda a cidade, ônibus com tabuleiros de xadrez para os passageiros, táxis com imagens de xadrez estampadas em sua lataria, muitos tabuleiros gigantes espalhados pela cidade, etc.

Ednilson Rosas: O que precisamos fazer para que o xadrez seja um esporte com maior apoio e com maior número de adeptos no Brasil?

Juliana Terao: O xadrez precisa de muito investimento, acredito na aplicação do xadrez nas escolas como grade curricular e patrocínios para os profissionais.

Ednilson Rosas: Quais o seus planos de futuro? Quais os próximos passos?

Juliana Terao: Treinar mais, aprender com os meu erros e continuar em busca do titulo de WGM.

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Judit Polgar observando...

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Hou Yifan entre as meninas do Brasil

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Equipe completa com o MI Renato Quintiliano.

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Ednilson Rosas

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